PROJETO METAMORFOSE: A FELICIDADE COMO EXPERIÊNCIA ACADÊMICA

PROJETO METAMORFOSE: A FELICIDADE COMO EXPERIÊNCIA ACADÊMICA

Juliana de Almeida Picinin

Apresentador: Juliana de Almeida Picinin

Eixo: Estudos com conclusões finais

Tipo de Apresentação: Oral Resumo:

Os ambientes acadêmicos se edificaram, ao longo das últimas décadas, para serem espaço de transferência de conhecimento técnico e exaltação de resultados obtidos com ênfase nesse perfil. Tradicionalmente, a educação lançou luzes sobre o que angariável tecnicamente, correspondendo a isso um espaço próprio no mercado de trabalho. Os anos têm demonstrado a insuficiência dos modelos pautados exclusivamente nesse perfil e, a cada dia, os mercados de trabalho têm gerado dados sobre a importância de que, para além do conhecimento técnico, os profissionais sejam preparados em habilidades e atitudes, com sensível desenvolvimento de suas competências emocionais. Não somente isso: as pessoas estão, a cada dia, desenvolvendo a percepção de que somente conhecimento técnico não lhes garante uma vida (profissional ou não) realmente plena. Como esse perfil se mostra alijado dos espaços acadêmicos tradicionais, as pessoas têm buscado suprir essa necessidade no sistema paralelo de ensino, isso quando podem por ele arcar e já não existem resultados negativos o suficiente para prejuízos na carreira. Não bastasse isso, o atraso no desenvolvimento de competências emocionais priva as pessoas de desfrutar as benesses de se as ter, com ganhos em plenitude, bem-estar, florescimento, felicidade e performance otimizada. Por conta disso, as experiências acadêmicas que visam a incorporar essas competências emocionais e tornar os alunos mais preparados para esses enfrentamentos, mostram-se bem-vindos. Além disso, as estatísticas internacionais indicam que os ambientes de graduação têm sofrido com a evasão dos alunos (especialmente nos 2 primeiros anos) que, desidentificados com a proposta acadêmica ou com as expectativas de plenitude a partir do conhecimento meramente técnico, acabam abandonando os estudos e buscando outras soluções profissionais. Por conta isso, as escolas e as graduações têm vivido a experiência do esvaziamento, da desidentificação, da perda de potência e performance, com alunos cada vez mais desmotivados e desconectados da proposta acadêmica. Isso exige uma releitura de rumos, de alguns conteúdos educacionais, a fim de que as competências emocionais passem a estar disponíveis aos alunos, com foco em bem-estar, florescimento, felicidade, plenitude e performance. Não só isso: conteúdos que permitam com que os alunos aumentem seu grau de autoconhecimento e autodesenvolvimento, encontrem seu propósito de vida, densifiquem e ressignifiquem suas carreiras, descubram seus talentos, conheçam suas forças, cresçam por ações volitivas menos dependentes do meio. O resultado disso é uma escola mais conglobante, geradora de pertencimento e, por isso, desejada e representativa. A experiência que este estudo aborda foi criada especialmente para o ambiente de Graduação e foi testada com alunos da faixa dos 19 aos 25 anos, advindos dos cursos de Direito, Engenharias e Relações Internacionais em uma Instituição de Ensino privada e renomada. O projeto foi denominado Projeto Metamorfose: experimente ser pleno e contou com os contributos de 3 metodologias distintas: Coaching, Psicologia Positiva e Mindfulness. São raras, no mundo todo, as experiências com esse viés. No Estado de Minas Gerais, até o início do Projeto Metamorfose, nunca houvera um curso com esse perfil voltado às competências emocionais. Pode-se dizer que no Brasil, com a junção das 3 metodologias utilizadas como matriz, também nunca fora utilizado. Os resultados foram colhidos no ano de 2017, na sua 1ª edição, e suplantaram os objetivos inicialmente propostos, referendando as estatísticas internacionais de que felicidade é uma experiência acadêmica imprescindível.

 INTRODUÇÃO

A ciência é datada, contextual, histórica e performática. Ela mesma ensina isso. Sob esse aspecto, podia fazer sentido que se acreditasse, até bem pouco tempo, que apenas a competência técnica poderia proporcionar – a todos, indistintamente – a capacidade de alcançar os maiores vôos profissionais e pessoais. A própria ciência, como competência técnica, desbravou novos terrenos e testemunhou que as competências emocionais – em habilidades e atitudes – poderiam não só decorrer da apreensão humana, da educação e do hábito, como deveriam integrar o universo de investimentos humanos para uma vida mais plena, integrada e feliz. Nesse sentido, a competência técnica abraçou em seus próprios conceitos a relevância de que o bem-estar, a plenitude e o florescimento poderiam fazer parte das apreensões humanas, sem tanto depender das tendências e dos meros talentos. Isso significaria a necessidade de que as matrizes educacionais sofressem ajustes sensíveis a fim de abarcar todo o universo de experiências indispensáveis e daí decorrentes. Chegar-se-ia, então, ao momento das experiências desbravadoras, fase em que o contexto mundial e os ambientes acadêmicos ainda se encontram. O importante é registrar que a fotografia do momento já possui cores e espaços de nitidez e se mostram recompensadoras as experiências que o período permite. Este estudo vem, portanto, retratar uma dessas experiências exitosas do olhar conglobante ao humano, realizada no ambiente acadêmico e pautada, sobretudo, no indescritível sabor da experimentação.

AS RAÍZES DO PROJETO METAMORFOSE

A partir da experiência no Magistério, especialmente em cursos de Graduação, foi possível perceber que os alunos vinham prontificando seus esforços sobre o conhecimento técnico, na crença de que somente isso seria viabilizador de seus propósitos de uma vida futura próspera, plena e feliz. Contudo, ao se os acompanhar nas vicissitudes diárias, ao se dialogar com seus entrevistadores e empregadores, bem como, ao se compartilhar as ocorrências com outros Professores e Coordenadores Educacionais, foi possível perceber que esses alunos estavam pouco focados no ganho de “habilidades” e ainda menos focados no ganho de “atitudes”. Não somente os alunos estavam assim sendo percebidos, como se tratasse de uma geração espontânea. Era perceptível que a construção dos conteúdos programáticos desses cursos forçava o enfoque no conhecimento técnico, pura e simplesmente, relegando as atividades desenvolvedoras de mais habilidades e se desconectando das experiências emocionais. A sensação provocada é de que os ambientes acadêmicos apenas apostavam fichas no conhecimento técnico, entendendo que o conhecimento emocional, ou é ínsito ao estudante, ou somente é apreendido pela vida que acontece para além dos muros das Faculdades. Ou, o que poderia ser pior desde essa suspeita inicial, que as Faculdades não estavam preparadas para lidar com as inteligências emocionais de seus alunos e nem acertar o prumo de uma negligência emocional dos espaços educacionais que lhes antecederam. Expressivo quantitativo de subjetividade para todos os contornos de um curso que, muito além de ter de formar profissionais, precisava manter a potência comercial e a retenção de alunos. A conclusão disso é que se tornavam visíveis os riscos da não preparação adequada dos alunos para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, de não se tornarem protagonistas de suas próprias histórias e de não permanecerem firmes no propósito de serem felizes, curtindo o caminho e vivendo seu estado de potência máxima. Em lugar de grandes mentes e pessoas, o ambiente acadêmico estava aceitando o risco de produzir mais pessoas frustradas e medianas. Exatamente esse risco e essa crença limitadora que indicavam a necessidade de uma pausa reflexiva: seria mesmo o ambiente acadêmico o lugar de produzir pessoas cansadas, medianas, infelizes e sem perspectiva? Levando essa dúvida a sério foi possível perceber que isso era muito mais endêmico e pulverizado do que se poderia supor. O que se detectava é que os conteúdos programáticos em geral negligenciam os voltados às habilidades e às atitudes. Sobremaneira, uma negligência frente às competências emocionais. O mercado educacional parecia aceitar a função de criar um profissional a partir de inúmeros recortes, com formações estanques, desconectadas e frias. O resultado disso era uma desconexão entre o que as Faculdades prometiam (ou delas se esperaria) e a realidade, uma desconexão entre as expectativas transformadoras dos alunos no início dos cursos e o resultado alcançado quando de sua saída (no tempo regulamentar ou, o que poderia ser pior, de forma abrupta e prematura). Esse panorama indicava a necessidade de que algo sustentável e eficaz fosse feito, antes que se tornasse ainda mais difícil reverter duas complicadas pesquisas internacionais: a) A primeira indica que 70% das pessoas, no mercado de trabalho em todo o mundo, estão infelizes. Não bastasse ser um número, por si só, aterrador, não faz sentido que os ambientes acadêmicos se tornem fábricas de homens infelizes e que as pessoas sejam moldadas a acreditar que a felicidade não pertence ao mundo do trabalho (e o que pode ser pior: não pertença às suas próprias existências). A aceitação de um dado dessa ordem também comporta uma série de outras consequências negativas, inclusive de sensível expressão econômica, tais como aumento do absenteísmo, diminuição da produtividade, aumento das demissões e do turn over, aumento dos gastos com saúde pública, dos níveis de estresse e depressão, dentre outros fatores.

  1. b) A segunda indica que tem aumentado o número das pessoas que abandonam as Faculdades, trazendo um sério risco à integridade do próprio negócio educacional, com repercussões sobre a empregabilidade, o profissionalismo do mercado de trabalho, o futuro de algumas profissões e a qualidade dos produtos e serviços dispensados à população em geral. A reação das Faculdades seria tornar mais atrativos os cursos, mas o que se viu foi um aumento significativo dos de curta duração e com transmissão cada vez mais superficial de conteúdos, formas de agir a evitar que, antes do desinteresse dos alunos, as matérias ou os cursos já tivessem terminado. Esse quadro, comprovado por números de diversas fontes, muito além da percepção que a experiência acadêmica tinha proporcionado, apontava a necessidade de que uma reação a esse panorama viesse dos próprios bancos acadêmicos. Exatamente por isso, então, foi desenvolvido o Projeto Metamorfose: experimente ser pleno, um programa universitário disponibilizado aos alunos para o aumento de suas habilidades e o desenvolvimento de suas atitudes, como contribuição ao despertar da plenitude e à melhoria de performances na vida pessoal e profissional que ali se alinhavava. Com efeito, a ideia inicial do Projeto Metamorfose era apresentar esse universo de possibilidades aos alunos, ajudando-os a perceber os caminhos que potencializariam seu florescimento e sua performance otimizada, mas também focando no bemestar ao longo de todos os processos pelos quais a vida os levaria a passar. A experimentação e o vivencial seriam os grandes instrumentos para tornar sentido o que essa nova perspectiva poderia agregar-lhes de valor. Essas escolhas, aliadas aos conteúdos e ferramentas que foram selecionados, fizeram o Projeto Metamorfose: experimente ser pleno ser posto em ação.

AS MATÉRIAS-PRIMAS DO PROJETO METAMORFOSE

Para a realização desses objetivos, foram escolhidas três matérias-primas conceituais essenciais: Coaching, Psicologia Positiva e Mindfulness. A escolha não é aleatória. Todas elas estão construídas sobre alguns pilares estruturais comuns, aqui citados quatro. O primeiro deles (seja coincidência ou não) é ser as experiências que nos permitiram fazer o mesmo processo de metamorfose e vivência de plenitude. Isso, sem dúvida, é reforçar a natureza experimental e vivencial que o Projeto corporifica. O segundo deles é que trabalham com a perspectiva do “presente ao futuro”, prescindindo de abordagem que se veja focada em compreender ou catalogar como as coisas foram até o início dos processos. Nesse sentido, não importa de onde esses alunos teriam vindo, quais seriam suas experiências pessoais, as marcas que as histórias e as crenças lhes tenham deixado: para todos seria possível experimentar potência dali em diante. Assim, muito mais inclusivo, conglobante e desprovido de préjulgamentos, com capacidade para acolher indistintamente. Por certo, isso demonstra o quanto se acredita em todos quantos se lancem verdadeiramente à experiência. O terceiro deles é que utilizam o estado de presença como elemento relevante. Acreditamos que esse é um dos pontos mais essenciais no desenvolvimento de todo o processo. Várias das características do Projeto e da dinâmica dos encontros foi voltada ao desenvolvimento desse estado de presença. O quarto deles é que possuem suporte científico. Em maior ou menor grau, esses conteúdos estão construídos sob bases científicas, nãoexperimentais ou holísticas, desplugados de qualquer sentido religioso, filosófico, fanático ou tendencioso. Esse ambiente neutro e sólido auxiliaria enormemente sua adoção nos bancos acadêmicos. Antes de prosseguir convém advertir que o objetivo do Projeto Metamorfose, tal qual deste trabalho, não é esgotar os conteúdos suntuosos dessas três ferramentas, nem discutir suas bases como um todo ou criticar pontos que não tenham sido selecionados para integrar o conteúdo. Como o Projeto Metamorfose é de curta duração, executado em apenas 8 encontros, não é possível esgotar o universo de todas essas ferramentas e nem executar todos os processos que cada uma comporta de per se. Não é objetivo, nem mesmo, ser um curso de formação nessas áreas, mas tão-somente (como dito desde o início) uma experimentação. Por conta disso, cumpre explicar perfunctoriamente o sentido compreendido de cada uma das ferramentas e, ao final, permitir exsurgir o marco teórico do próprio Projeto. Assim, entendam-se, inicialmente, em linhas gerais cada um dos conceitos: a) No que tange ao Coaching, está compreendido como um conjunto de ferramentas e conceitos que vão permitir ao Coachee compreender o seu estado atual e o seu estado desejado, fazendo a transição de um a outro, com superação das etapas e das demandas, das crenças limitantes e dos desafios, alcançando maior performance e com otimização do tempo. Um dos principais enfoques doCoaching está na ação e, da parte do Coach, na construção de perguntas poderosas que potencializem a obtenção das respostas pelo próprio Coachee. Dele também advêm as ideias de experimentação e ganho de autonomia. b) No que tange à Psicologia Positiva, está compreendida como o estudo da felicidade, do bem-estar e do florescimento, com enfoque na compreensão das forças, talentos e virtudes humanos, permitindo que cada pessoa possa sobrepujar o que tem de melhor e mais eficaz na construção de uma vida plena. Dele também advêm as ideias de autocompreensão e ação. c) No que tange ao Mindfulness, está compreendido como o uso da meditação e dos exercícios de presença, para diminuição dos processos narrativos internos, capacidade de obtenção de insights, percepção dos pensamentos e ampliação do espaço de consciência. Dele também advêm as ideias de auto-observação e experimentação. O Projeto Metamorfose foi integralmente estruturado sobre a ideia de que uma vida mais plena é alcançada a partir de uma maior capacidade de auto-observação, auto-conhecimento e auto-experimentação, transformando o indivíduo em um “cientista de si mesmo”, rumo ao papel de efetivo protagonista de sua história.

AS ETAPAS DO PROJETO METAMORFOSE

Para compreender como esses vários ferramentais se entrelaçam e como o

Projeto Metamorfose se desenvolveu, são aqui indicadas as etapas de sua realização. O Projeto foi dividido em encontros temáticos, com duração de no mínimo 4 horas cada, uma vez por semana, para que houvesse tempo de imersão suficiente para promoção de processos mentais eficientes. Os encontros não tinham intervalos. Isso foi pensado para promover o distanciamento dos modelos convencionais já conhecidos e também para possibilitar um ambiente informal, mais descontraído. A escolha por atividades vivenciais se deu porque a experiência acadêmica é menos rica nessa utilização e, portanto, o modelo educacional tradicional (sobretudo o brasileiro) prescinde da participação ativa, crítica e constante do aluno no processo de autodescoberta. Por isso, importante que se aumentem os espaços em que os alunos podem falar, experimentar, fazer, ouvir e se revelar. De fato, não existe a possibilidade da obtenção do resultado sem que se ingresse no mundo da experiência e das conexões. Os encontros estão programados para ocorrer uma vez por semana, exatamente para que entre um e outro seja possível a realização de atividades geradoras de novos hábitos e que a consciência da metamorfose esteja edificada sobre a experimentação. Cada um dos encontros contou com a experimentação de um ferramental das três áreas referidas, de forma que a vivência intensificasse a experiência e a oportunidade de insights para os alunos. Para auxiliar o processo de sedimentação das novas experiências e permitir que se reforce as que funcionam em prol do resultado final, a cada novo encontro era dedicado tempo ao compartilhamento pelos alunos. Dito isso, entendam-se os encontros: a) Encontro Zero: esse encontro é dedicado à apresentação do Projeto Metamorfose, oportunizando que as pessoas possam aderir à sua realização e se decidir por o fazer. Nele são explicados os porquês do Projeto Metamorfose, os conceitos das três áreas interligadas, a referência a estudos científicos que balizam cada uma das escolhas, bem como estatísticas internacionais que reforçam a importância de lidar com o tema. É também momento usado para explicar questões práticas e burocráticas para a participação. b) Encontro 1: “Experimente se conhecer”: este é o 1º encontro oficial do Projeto Metamorfose e a primeira abordagem é compreender os conceitos de CHA[1] e de Coaching. O primeiro ponto, portanto, é centrar o olhar para si mesmo e iniciar a experimentação da cultura de “ser cientista de si mesmo”. Esse primeiro auto-olhar permitirá que, com o passar dos encontros e experiências, o aluno seja capaz de afinar e orquestrar esse hábito, de forma que o auto-olhar inicie a temporada dos olhares compassivos, resilientes, positivos e funcionais. A partir desse auto-olhar estrutural será possível que o aluno o reproduza no meio, levando as transformações a benefício externo, a caminho da plenitude. c) Encontro 2:

“Experimente se aceitar”: neste encontro são tratados os conceitos de voz interna, estado de presença, forças de assinatura, crenças limitantes e fortalecedoras, aceitação dos pontos fortes e fracos. O segundo ponto, portanto, é centrar o olhar no que nos define. Entender o que somos – e o que bloqueia nossa melhor performance – permitirá que o aluno possa fazer escolhas conscientes, como resultado de ser “cientista de si mesmo”. Quanto mais clareza o aluno puder ter sobre si, mais consciência, autorresponsabilização e mudança ele será capaz de gerar. d)Encontro 3:

“Experimente se permitir”: neste encontro são tratados conceitos tidos como de limpeza interior, como uma oportunidade para abrir espaço ao novo, através dos conceitos de gratidão, perdão, vulnerabilidade, vergonha e amor. A partir da permissão dessa abertura ao novo, após a reestruturação de alguns modais internos, a experiência da metamorfose ganha mais latência. e) Encontro 4:

“Experimente florescer”: neste encontro são apresentados os conceitos da Psicologia Positiva, na perspectiva do marco teórico proposto neste estudo. Considerando que os alunos já tiveram a possibilidade de olhar para si, entender do que são construídos e que é possível abrir espaço para o novo, a proposta realizada é de que esse preenchimento seja feito com o que pode lhe fazer florescer. Com isso, toda a lógica de vale a pena se nos faz feliz se mostra sólida. f) Encontro 5: “Experimente se emocionar”: este é um encontro dedicado à compreensão de emoções, sentimentos, talentos, afetos e humores, de forma que seja possível identificar o que se passa com cada um e o quanto esses itens interferem no cotidiano, na construção dos projetos, nas frustrações, nas distrações, no sucesso e no alcance de resultados. A este ponto já é possível que o aluno, mais cônscio (e cientista) de si mesmo, esteja em condições de perceber as emoções e os sentimentos que o habitam. Se a compreensão desses é tão difícil e complexa ao ser humano, faz sentido que esse momento seja posto após as experiências anteriores mencionadas. Mas a metamorfose plena será possível se esse processo de autocompreensão realmente existir. g) Encontro 6: “Experimente sonhar”: neste encontro são trabalhadas as capacidades de sonhar e projetar o futuro, entender metamodelos de comportamento e idealizar onde pretendem chegar. São trabalhadas perguntas sobre visão, missão, ambição e papel, preparando o alcance do estado desejado. Após saber olhar para si mesmo, manter o hábito de se avaliar, entender o que de fato o constitui e o define, com consciência sobrea as emoções e os sentimentos que perpassam suas experiências, o aluno encontra-se mais apto a voltar os olhos ao futuro e programar-se ao estado desejado. Essa é a mirada proposta neste encontro. h) Encontro 6: “Experimente se planejar”: neste encontro é trabalhada a ideia de planejamento, projeção dos sonhos e a objetivação dos passos para a sua realização. A esta altura o aluno está apto a tangibilizar as experiências já colecionadas e dar densidade, consistência e concretude ao estado desejado. Não bastasse isso, o ferramental do dia tem compromisso com o senso de autorresponsabilização, de forma que o aluno transporte à consciência de que o estado desejado só acontece a partir do que efetivamente ele é capaz de se entregar. i) Encontro 7: “Experimente estar presente”: neste encontro são utilizados os conceitos de Mindfulness e a possibilidade de que o trato das narrativas internas e do estado de presença possam agregar valor às suas trajetórias e aos seus projetos, auxiliando no lidar das emoções, das frustrações e das auto-experiências. O objetivo, a este ponto, é exercitar a âncora com o estado de presença. Maior performance pode ser alcançada a partir do quanto o aluno é capaz de estar na etapa que executa. Os diversos benefícios proporcionados por uma boa presença, uma boa escutatória, uma maior capacidade de concentração (e até de flow), possibilitará ganhos de performance e plenitude. Assim, são exploradas várias propostas do Mindfulness, seja nos conceitos e princípios, seja nas suas práticas (formais e informais). j) Encontro final: Transformatura: “Experimente ser pleno”:neste encontro é feito o fechamento das experiências vividas pelos alunos, inclusive com a participação de Professores qualificados nas 3 matérias-primas utilizadas, com a entrega de certificados e celebração dos resultados alcançados.

A REALIZAÇÃO DO PROJETO

O Projeto Metamorfose, em sua 1ª edição, foi realizado em 2017 nas dependências da Faculdade xxxxx, em Belo Horizonte/MG. Até então não se tinha notícia de outra Instituição de Ensino Superior, no Estado de Minas Gerais, que tivesse desenvolvido Programa dessa natureza, tratando-se, assim, de um projeto inovador. A 1ª edição contou com a participação efetiva de alunos vindos de graduações distintas (Direito, Relações Internacionais, Engenharias), com faixa etária média entre 19 e 25 anos. Os resultados da 1ª edição permanecem sendo sentidos e registrados, considerando o testemunho recebido não só dos alunos, mas também de seus Professores, colegas e familiares. Dentre os resultados já diagnosticados, podem ser citados alguns exemplos fáticos: a) transição de carreira; b) descoberta de propósito de vida e missão; c) realização de projetos pessoais (tais como intercâmbio internacional e casamento); d) conclusão da graduação; e) assunção a cargos de chefia e direção; f) formação em Coaching; g) alcance de metas planejadas durante os encontros (com otimização no tempo de suas realizações). Além desses, foi detectado o aumento de performance profissional, pessoal e familiar, com testemunhos sobre: a) aumento da felicidade; b) melhora nos relacionamentos interpessoais; c) aumento do engajamento estudantil; d) melhora de desempenho no ambiente de trabalho; e) diminuição dos graus de ansiedade e frustração, dentre outros. Com efeito, é possível afirmar que o Projeto Metamorfose realizou seu objetivo de levar aos alunos experiências de plenitude com grau de autonomia, para que continuem a experimentação de forma permanente.

CONCLUSÃO

A compreensão de que o aprendizado das competências técnicas é essencial, para que se tenha mais êxitos profissionais (especialmente), parece ser senso comum. Tanto o é que sobre isso se edificou a educação tradicional. Pudéramos nós, no entanto, dizer o mesmo a respeito das competências emocionais. De tão intrínseca a sua concepção, convencionou-se a entender como algo que se tem inato ou não apreensível pelos métodos tradicionais da educação. E, por isso, deveriam estar de fora dos bancos acadêmicos. No entanto, a ciência lança olhares sobre a necessidade de suplantar as visões tradicionais e fazer compreensível que habilidades e atitudes são aspectos construíveis, apreensíveis, ensináveis, compartilháveis. Para muito além disso, os próprios conceitos de felicidade, bem-estar e florescimento se mostram com essas mesmas adjetivações. Com esse respaldo – que não veio de outro lugar senão que do próprio conhecimento técnico – aos poucos se dobram as envergaduras tradicionais para flexibilizar o aprendizado e permitir que o ser humano em sua plenitude integre os conteúdos programáticos da educação. Nosso desejo, nada impossível, é que cada dia mais as experiências de Educação Positiva habitem e gravitem em todas as esferas educacionais, potencializando que as próximas gerações sejam treinadas nesse conteúdo indispensável. No estágio atual, as experiências se mostram pontuais e isoladas, mais fruto dos esforços de alguns desbravadores do que propriamente dos pleitos partilhados pelo senso comum. Mas queremos crer que esse é, somente, o panorama deste momento e que todos os processos disruptivos e inovadores nascem como vozes minoritárias até que ganhem corpo e presença duradouros. Nada há de estranhamento ou ineditismo nessa situação. Isso significa que iniciativas pontuais e isoladas, assim como se deu com o Projeto Metamorfose, são exitosas na construção de mudanças estruturais. E com essa crença, ciente de que a vida é movimento, o Projeto Metamorfose chega ao resultado exitoso de sua edição de lançamento e encarará os desafios da própria matriz educacional até que a educação positiva e emocional seja tão senso comum quanto a técnica.

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[1] CHA é o acrônimo resultante de competências, habilidade e atitudes. Explicar e fazer as citações. Competências técnicas, na primeira letra, vai se referir ao conhecimento técnico ou know-how a respeito do assunto, a coletânea de saberes técnicos acumulados. Habilidades, na segunda letra, já vai fazer referência ao “saber fazer”, quanto à capacidade de colocar em prática os conhecimentos havidos, em soluções efetivas e que resolvam alguma demanda. Atitudes, na terceira letra, já vão se referir às competências emocionais para lidar com as coisas como elas são e como podem ser, a capacidade de entender e saber agir de forma autônoma, eficiente e assertiva. O termo vai encontrar larga escala de utilização por aqueles que trabalham na área de Gestão e Administração e, a partir dessa experiência, o trespasse a outros campos. Afinal, apenas saber não será suficiente: é necessário também saber fazer e querer fazer.