O GESTOR ESCOLAR É UM LÍDER?

O GESTOR ESCOLAR É UM LÍDER?

Juliana Tófani de Sousa

Apresentador: Juliana Tófani de Sousa

Eixo: Estudos com conclusões finais

Tipo de Apresentação: Oral Resumo:

O presente trabalho aborda as mais diversas funções que um diretor escolar possui, fazendo um contraponto com aquelas que possuem os bons líderes de outras organizações, ressaltando, porém, as especificidades da instituição escola. O texto traz para a discussão o papel do gestor escolar, identificando as habilidades que o mesmo necessita desenvolver para cumprir a função de líder, enxergando a escola além dos processos de ensino aprendizagem. O trabalho indica a necessidade de constante formação para este profissional, ajudando-o a entender sua complexa função dentro da escola e posicionandose como líder.

Palavras-chave: Escola. Gestão escolar. Liderança. Formação. Democracia.           O complexo exercício de ser diretor de uma escola nos dias atuais, nos remete à expressão “fazer gestão”, que automaticamente pressupõe liderança, pois não se pode fazer gestão sem exercer a liderança. Liderança, segundo LüCK, 2014, p. 95, “corresponde a um conjunto de ações, atitudes e comportamentos assumidos por uma pessoa, para influenciar o desempenho de alguém, visando a realização de objetivos organizacionais”. Na escola esta mobilização se dá através da comunidade escolar, socialmente organizada, que em torno das responsabilidades educacionais, vão mediante seu esforço e capacidade de realização, garantir a efetividade do trabalho educacional.

            A liderança no ambiente escolar é a influência sobre as pessoas para que promovam os melhores resultados em termos de desenvolvimento humano, aprendizagens, transformações, inovações e práticas. Isto é, é preciso entender que o trabalho da gestão é justamente o de promover a superação de dificuldades, resolver conflitos, eliminar ou diminuir tensões no processo escolar, e auxiliar na criação de um clima favorável à formação e aprendizagem dos alunos.

 Esta liderança precisa então, ser sempre uma influência orientadora, estimuladora, motivadora, inspiradora e conscientizadora. Não podemos confundir liderança com poder, pois poder manipula, leva a coerção e medo. Através da motivação criada pela liderança as pessoas se sentem mais criativas, o que as conduzem a atuar na situação de forma mais empoderada. Segundo OLIVEIRA, em seu livro Psicologia Positiva, liderança jamais pode envolver medo. Liderança é confiança, é alegria, é psicologia positiva. Liderança não chacoalha barcos, mas ajusta as velas. Liderança não grita, mas inspira. Liderança é onipresente. (p. 216)

            Para liderar um grupo, um líder precisa ter sonhos e acreditar neles, buscando formas e condições para alcançá-los. Mas é seu papel motivar a equipe, não para que sigam seus sonhos e sim para que construam os seus próprios, acreditem nestes e sintam prazer na realização dos mesmos. Um líder deve inspirar!

            Uma característica fundamental da liderança é a resiliência, pois todo líder passa por fracassos e depois destes precisa ser capaz de reerguer-se e tentar novamente. Dentro do ambiente escolar isto não é diferente. O conceito de resiliência, retirado da física, mas também próximo da psicologia, é definido como a determinação para se recuperar de um fracasso e ainda compreende a força de perseverar. Claudemir Oliveira, também em seu livro Psicologia Positiva, 2017, traz um novo conceito: a transcendência. Segundo o autor a “transcendência envolve um grande diferencial: emoções e pensamentos, coisa que a resiliência não tem. Evolução é obrigatória, mesmo que leve gerações. (…) somos mais que resilientes; quando a vida nos dobra até o limite, em vez de voltarmos à estaca zero, somos lançados para um novo horizonte”. Isto é a transcendência, a evolução! É interessante este conceito do autor quando pensamos nos desafios enfrentados pelos gestores de escolas do século XXI. Portanto, um gestor de uma escola, deve ser mais que resiliente. Deve ser transcendente!

            Líderes transcendentes enxergam sempre mais adiante, mantendo uma perspectiva ampla, ou seja, nunca se deprimem demais quando fracassam e nem ficam eufóricos demais quando alcançam o sucesso. Também são autênticos. Legítimos. Líderes legítimos são aqueles que realmente assumem a responsabilidade que lhes cabem.

            Esta forma de liderança se enquadra no estilo democrático de se fazer a gestão, no qual é destaque a participação e a tomada de decisão compartilhada, seguida de ações cooperativas, em que, em equipe, os membros da unidade escolar assumem responsabilidades conjuntas pelo seu desenvolvimento e realização de objetivos.

            Observa-se neste modelo energias e esforços conjuntos, onde o grupo se empenha na realização de uma mesma tarefa. Os membros da equipe, motivados pelo líder, estão organizados em prol de uma meta e são capazes de assumir responsabilidades, zelar pela realização de objetivos e conquistálos. Como neste estilo de liderança a expressão de ideias e pontos de vistas são bem-vindas e valorizadas, sempre surgem novas ações e projetos.

            Com uma liderança democrática, é crescente o fortalecimento da escola como um todo, de tal modo que, diante de uma eventual saída de cena do gestor, não ocorre um vácuo que vá chegar a resultar em um retrocesso na organização da instituição.

            O processo deste tipo de gestão, implica na construção da autonomia dentro do ambiente escolar e até mesmo fora dos muros da escola, quando nos referimos a interação escola e comunidade, a partir de ações voltadas para a melhoria da qualidade do ensino.

            Segundo Lück:

(…) a autonomia é um processo aberto de participação do coletivo da escola, na construção de uma escola competente, em que os seus profissionais assumem as suas responsabilidades e prestam contas e seus alunos têm sucesso. Para que essa autonomia aconteça é importante o entendimento pelos participantes da escola dos vários desdobramentos dos conceitos e significados relacionados ao processo. Em especial é importante o entendimento das implicações relacionadas a essa prática, que envolvem princípios, atitudes e estratégias, assim como nos bons processos de gestão, monitoramento e avaliação”. (LÜCK, 2013, p 107).

            Porém, a construção da autonomia é um processo que muitas vezes é tenso, pois envolve fatores dicotômicos, contraditórios, polêmicos e conflituosos, que vão exigir do gestor, habilidades e discernimento para o enfrentamento tranquilo e encaminhamentos positivos. Será o gestor que irá facilitar o entendimento de todos os envolvidos no processo, promovendo a efetivação da autonomia e da gestão democrática na instituição.

            Autonomia implica em empoderamento. Conhecer é poder e o conhecimento é fruto das práticas realizadas em associação com processos reflexivos. Quanto mais decisões conscientes são tomadas, sempre mediante compreensão reflexiva da realidade, mais vai se constituindo um ambiente de empoderamento e vai se desenvolvendo um sentimento de autoafirmação entre os membros da equipe.

            Cabe aqui o importante contraponto do estilo democrático com o estilo laissez faire (deixar fazer) que é identificado como ineficaz, porque a escola é uma unidade organizacional articulada, que precisa deste conjunto de ideias, princípios e objetivos gerais em unidades dentro de um sistema. Por mais que os membros da equipe sejam dotados de competências e habilidades necessárias para a realização de suas responsabilidades e tenham construído autonomia suficiente, a presença de um líder é fundamental em uma escola. No estilo democrático, o gestor precisa assumir seu papel de liderança. Caso contrário, uma liderança informal tende a emergir através de interesses corporativos ou grupos políticos. Esta liderança informal acaba trazendo prejuízos para a organização e bom andamento do trabalho da instituição.

            A gestão escolar, sendo um processo democrático, abrange as dimensões pedagógica, administrativa, financeira e política. Pode-se dizer que o principal objetivo da escola é a aprendizagem e a formação global dos estudantes. Por isso a gestão pedagógica, compreendida como a organização, coordenação, liderança, monitoramento e avaliação de todos os processos e ações diretamente voltados para este objetivo, é a centralidade do trabalho do diretor escolar. Conhecer os alunos, suas necessidades e o desenvolvimento dos mesmos, propor e sustentar os projetos da instituição, participar das reuniões pedagógicas e formações de professores, envolver-se ativamente nos eventos culturais, realizar periodicamente as reuniões com a equipe pedagógica, tudo isso é parte da gestão pedagógica e do trabalho do diretor. Porém as demais dimensões são também importantes, fazem com que o sistema funcione e precisam ser bem alinhadas garantindo estabilidade em todas as relações, a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos, dos gastos dos recursos destinados à escola, do espaço físico e das regras de funcionamento. O diálogo com cada funcionário, de cada segmento da escola, ouvindo as impressões destes sobre cada espaço e sobre a escola e o funcionamento da mesma, ajuda na leitura constante das necessidades e permite ao gestor ponderar no momento das tomadas de decisões.

            Equalizar a gestão pedagógica junto às dimensões administrativa, financeira e políticas, atendendo às demandas e especificidades de cada uma delas, é um grande desafio.  Um diretor de escola, antes de mais nada, tem que ter conhecimento sobre o desenvolvimento humano e estratégias de aprendizagens desses sujeitos. Porém, a responsabilidade burocrática que lhe cabe é muito grande, o que consome grande parte do seu tempo. Desta forma, uma boa organização do trabalho é crucial.

            Para assumir a gestão de uma escola, o diretor precisa ter um bom Plano de Ação ou Plano de Trabalho ou Plano Estratégico, cabe a ele nomear. Este Plano deve ser desenhado antes dele assumir a gestão e redesenhado a cada passo dado durante a mesma. É importante, que para tal, este gestor faça um diagnóstico da instituição, conhecendo a comunidade com a qual vai trabalhar a realidade em que a mesma está inserida, o grupo de profissionais com os quais vai atuar e a experiência que cada um acumula a história da escola e os seus funcionários. Ele precisa ter clareza de tudo aquilo que for importante para ajudar a definir um bom plano de metas para sua gestão.

            Ao se diagnosticar é possível qualificar, determinar o que é preciso mudar, onde e como. É o momento de pensar que ações são necessárias e quais os atores devem ser envolvidos. Apontar possíveis projetos que poderão ser desenvolvidos durante a sua gestão, ações para melhorias progressivas nos resultados de ensino aprendizagem dos alunos e diferentes alternativas, que devem ser constante, para envolver as famílias, que precisam participar do processo, assumindo a responsabilidade que lhes cabem.

            Este líder, a partir de seu Plano de Ação, precisa ter um olhar atento, todo o tempo à escola, aos diferentes espaços da mesma e aos seus atores. Precisa estar sempre “vendo” a escola e dialogando sobre ela, buscando encaminhamentos e soluções para diferentes situações que vão surgindo a partir daquilo que vai “enxergando”. É preciso ter este olhar observador, investigador, que faz leituras e as interpreta. A escolha de uma equipe pedagógica coesa, neste momento é fundamental, pois é esta equipe que primeiramente estabelece a parceria necessária com a direção da escola, garantindo que as propostas pedagógicas possam fluir de forma organizada e também auxilia a direção escolar nesta leitura dos problemas rotineiros da instituição.

               É fundamental que esta equipe tenha conhecimento científico, uma vez que é esta fundamentação que lhe dará argumentos firmes diante do grupo, sustento e suporte necessários para orientar professores, alunos e pais e ser assim respeitada por todos. A parceria no dia a dia, nas ações, nos discursos, nas tomadas de decisões é fundamental entre os membros desta equipe pedagógica, para que todos da escola e a comunidade em geral percebam que existe uma afinidade, uma cumplicidade e que a direção da escola e sua equipe comungam das mesmas concepções e trabalham de forma conjunta.

            O líder precisa estar motivado todo o tempo ou a maior parte dele, para conseguir motivar as demais pessoas. Quanto mais motivado o gestor estiver, mais motivada estará sua equipe. É importante que o diretor descubra as habilidades de cada membro de seu grupo e procure potencializá-las. É sua função inspirar e transmitir autoconfiança às pessoas. Mostrar que vale a pena os projetos apontados, as propostas de trabalho definidas e desenhadas em grupo. Lideres vencem por meio dos esforços alheios, por isso o tempo todo eles devem estar criando condições para que os seus liderados tenham sucesso.

            Conhecendo bem sua equipe de trabalho, motivando-a e potencializando suas habilidades é possível delegar tarefas, o que é importantíssimo na gestão democrática, mas o que não é simples ou fácil, pois cabe ao gestor “mapear as fortalezas” e encontrar o nível de maturidade de cada um da equipe, dentro de cada função e a partir daí, distribuir as tarefas a serem realizadas. Porém não para aí as responsabilidades do gestor. Delegar tarefas não quer dizer se desligar delas, mas abrir mão dos detalhes e deixar o profissional realizar as atividades da forma que ele considerar assertiva, acompanhando em determinados momentos, gerenciando os resultados, principalmente. Em outras palavras, delega-se a tarefa, não a responsabilidade.

            O líder vai aproveitar em sua equipe aquilo que cada um sabe e faz de melhor. Favorecer a flexibilidade e a inovação. Um bom líder é aquele que vai criar a atmosfera propicia para as tomadas de decisões, através de um ambiente sempre equilibrado emocionalmente e inspirador. Nos momentos de decisão importantes, muitas vezes, vai utilizar a ampla gama de habilidades de todos da equipe. “Não importa quem é o autor das boas ideias. O que interessa que as ideias funcionem, e as organizações se fortaleçam, servindo bem aos seus usuários” (CARLZON, 2005, p. 50).

            Para este tipo de líder todos os funcionários são fundamentais e agregam valores para a equipe. São importantes a partir do momento que contribuem para o trabalho e sucesso de sua escola.

           Portanto, reuniões constantes são de extremo valor na construção do trabalho coletivo e devem ser produtivas e sempre buscarem o crescimento mútuo. Com os professores que não se sentirem pertencentes a proposta da escola, porque isto sempre acontece, é fundamental que o diretor converse mais individualmente e busque estratégias para fortalecer os valores institucionais. Ele deve se preparar para toda e qualquer reunião. Alinhar ideias com a equipe. Planejar as reuniões de forma atrativa e fazer com que as mesmas aconteçam com maestria.

            As reuniões individuais e de equipe são fundamentais, pois elas têm focos diferentes e atingem objetivos diferentes. O importante das conversas individuais é que o retorno é mais direto. Já o foco das reuniões de equipe é que as informações relevantes são socializadas com todos que trabalham juntos e de forma interdependente. Também é fundamental conversar sempre com os coordenadores de equipe, pois é papel do líder auxiliá-los a gerenciar de forma continuada seus grupos, para que tudo caminhe da melhor forma possível o tempo todo.

            De acordo com OLIVEIRA:

Lideranças precisam entender que uma empresa é como uma orquestra. O maestro é importantíssimo, mas sem os músicos não há sinfonia. Sem sinfonia não há público (clientes). É função do maestro encantar os músicos. É, neste exato momento, no momento do encantamento que os músicos se transformam em maestros. Este encantamento entra na veia e atinge o coração do público, tornando-o fiel. Eis um dos segredos da fidelização; eis um dos segredos mágicos da liderança. (OLIVEIRA, 2014, p. 213)

            É importante que o gestor considere em seu dia a dia, sempre estabelecer uma comunicação eficaz, mantendo a transparência nas relações. Precisa tratar todas as situações com responsabilidade e clareza. Transmitindo mensagens coerentes, claras e concisas.  Não deixar os problemas encobertos, as pessoas com dúvidas, muito espaço para que as insatisfações prevaleçam. Todo o tempo, o gestor precisa ter certeza que todos compreenderam o que foi transmitido. Jan Carlzon, em seu livro A Hora da Verdade, (2005), nos faz refletir que é necessário considerar quais as palavras que serão melhor assimiladas pelo interlocutor e torná-las suas. Só assim a comunicação será eficaz.

Escutar o que o outro tem a dizer é fundamental. Atuar é, em grande parte, reagir ao que os outros têm a dizer. Quando escutamos uma pessoa estamos demonstrando interesse por ela. Um líder só vai saber o que as pessoas pensam se parar para ouvi-las.  Por isso ele precisa ser acessível e estar sempre disponível para ajudar a esclarecer dúvidas, impulsionar projetos, incentivar e escutar. Deve reservar momentos para sair de sua sala, visitar o local de atuação dos seus liderados, investir em boas conversas, olhar nos olhos, ouvir com atenção. Assim um líder inspirador e atento, poderá aprender com quem está na linha de frente, traçar estratégias, dar bons conselhos, apoiá-lo no que for preciso, motivar a equipe, inspirar, elogiar. Espalhar confiança. Trabalhar em conjunto, compartilhar conhecimento e experiências  é a forma mais eficiente para que a escola atinja seus objetivos e para motivar pessoas.

Muito importante aqui é a diferença entre não opinar pelo mais conveniente, mais sim pelo mais justo. Manter suas convicções. Defende-las e fundamentá-las sempre, expondo para a equipe aquilo que é para o bem coletivo e promover a justiça nas relações. É importante numa conversa de trabalho, sobre o trabalho, destacar o que as pessoas têm de melhor e buscar a partir dai apontar o problema que existe. Deve ficar claro que o foco está no problema e não a pessoa. Os feedbacks são importantes e devem ser dados com frequência para que todos da equipe saibam como anda o próprio desempenho. Se perderem o rumo, este retorno serve para mostrar o caminho de volta. Avaliar é um recurso que serve para instrumentalizar.

            Boas relações favorecem que as pessoas permaneçam juntas em direção ao objetivo, trabalhando bem em equipe, formando um grupo ou um bom time. Os objetivos devem estar sempre bem definidos e claros e as relações entre todos da equipe bem cuidadas.

            No século XXI, com os desafios atuais e mudanças cada vez mais rápidas, e ainda, considerando o aluno, nosso cliente, que pertence a este novo século, o mais importante é ter uma equipe preparada para resolver problemas, para acolher   pessoas. Um bom diretor prepara sua equipe dandoa autonomia para que ela possa ter excelência e resolver os problemas quando estes acontecerem. Sendo assim, é certo dizer que um aluno (o cliente) é importantíssimo para uma escola. É o foco! Mas o olhar do líder eficaz dos dias atuais precisa estar voltado primeiramente para o mais importante em seu “negócio” e o mais importante não é precisamente o seu “cliente” e sim a sua equipe.

            Lück nos faz refletir um pouco mais sobre autonomia e como o seu desenvolvimento implica no processo de gestão democrática:

Autonomia é um processo coletivo e participativo de compartilhamento de responsabilidades emergentes e gradualmente mais complexas, resultantes do estabelecimento conjunto de decisões. Não se trata de a escola ser autônoma para alguém, para algum grupo, mas de ser autônoma com todos, desse modo caracterizando-se como gestão democrática e compartilhada. A gestão democrática e compartilhada implica, portanto, a participação de todos os segmentos da escola na elaboração e execução do plano de desenvolvimento da escola, de forma articulada (LÜCK, 2013, p.99). (grifos da autora)

            Lidar com pessoas todo o tempo, em diferentes situações e nuances, acarreta para o diretor, mais uma função: mediar conflitos. Os conflitos são naturais em qualquer relação e sempre vão existir. Existem formas de torná-los eventuais e ainda de tratá-los de maneira coerente e justa, dando a oportunidade para cada um dos envolvidos, seja ele o adulto ou a criança, o professor ou o aluno, o pai ou o professor, falar de seus sentimentos e necessidades. Cada um no seu tempo precisa ser respeitado, ouvido, compreendido, acolhido. A situação precisa ser esclarecida. Sempre resolvida. Novamente não é favorável que se deixe espaço para dúvidas e insatisfações. O diretor de escola precisa ser ponderado em suas colocações. Neste momento a parceria entre a equipe pedagógica é fundamental, pois muitas vezes é preciso que um membro da equipe recue para que o outro atue.

            Diretores e coordenadores unidos a professores, funcionários, alunos, famílias e organizações comunitárias, têm demonstrado que, mesmo em situações extremamente difíceis, é possível fazer da escola um lugar seguro, alegre e estimulante para crianças, adolescentes, jovens e adultos. Quando estas pessoas se aliam com responsabilidade, através de colegiados, associações de pais e mestres, parceiros comunitários, ou seja, buscam fazer uma gestão colegiada e compartilhada com interesse em discutir e solucionar problemas educacionais, isto demonstra um envolvimento amplo e complexo de autonomia, que determina encaminhamentos favoráveis para a escola e contribuem para a gestão.

            A forma que o gestor tem de pensar e organizar o seu dia a dia é traduzida em todos os espaços e tempos dentro da instituição. Um gestor presente e eficaz tem a prática de avaliar coletivamente as mudanças que acontecem na rotina da escola, nas regras de funcionamento, na organização das entradas e saídas dos turnos, nos recreios, nos horários da merenda, nos eventos e tudo o que acontece vai sendo registrado, juntamente com as impressões de sua equipe. Estar presente no dia a dia da escola, participando dos diferentes momentos, garante também uma boa articulação, pois possibilita o trânsito tranquilo do diretor por todos os espaços da instituição e a relação estreita com professores, funcionários, pais e alunos. Assim, este líder terá facilidade de criar estratégias diversas para fazer valer os diferentes documentos que a escola possui, como o Regimento Escolar, instrumentos que vão orientar a escola no tempo e espaço e assegurar um trabalho coletivo.

            Os espaços físicos ganham olhar significativo do gestor e passam por constante avaliação do mesmo. Não importa o tamanho que sua escola tenha, o diretor não deve deixar de ser atento e cuidadoso, procurando fazer com que ela seja a melhor, a mais acolhedora, envolvendo os professores, os alunos e suas famílias no processo. Paredes sempre pintadas, murais com bonitas e significativas decorações, todos os espaços bem conservados, sem entulhos, bem arejados e iluminados. A escola precisa estar sempre limpa, cheirosa, com os jardins bem cuidados, com os espaços adequados para cada faixa etária de alunos atendida e ter um centro administrativo organizado para receber as famílias.

            Mas o investimento não pode ser somente na parte externa da escola, naquilo que se vê, nos muros e paredes, como se fosse uma casca ou um papel de presentes. O que está por dentro é o mais valioso. As pessoas. E é preciso cuidar dos relacionamentos entre as pessoas que convivem neste espaço.

.           Na escola, quando falamos de equipe, incluímos professores, com seu serviço primordial, mas também “os educadores” da limpeza, da cantina, da portaria, coordenação, secretaria e demais colaboradores que atuam nos diversos setores das instituições escolares, que acabam se organizando de diferentes formas. É preciso que o gestor tenha atenção a isso: cuidar de sua equipe!

            O gestor, no dia a dia, e através de diferentes estratégias, deve levar a sua equipe à reflexão e a construção de valores que vão colaborar para fundamentar a convivência de todos no ambiente escolar. Vai fortalecer o grupo, o trabalho coletivo e as relações entre todos da comunidade, valorizando as habilidades e as competências de cada um. É sua função levar sua equipe a compreender que educamos através dos limites que se coloca, do afeto que se desenvolve, do respeito que é construído, da aceitação das diferenças e diversidades, dos estímulos contínuos e dos talentos reconhecidos. Este movimento irá provocar em cada um dos envolvidos, reflexões profundas, e estas por sua vez, irão criar raízes no entendimento, na emoção e na ação de cada membro da escola que se dedica à educação dos alunos. Vai ajudar a todos os seus liderados a enxergarem e reconhecerem o valor de todas as pessoas com suas características e experiências.             A família é parte fundamental da educação dos alunos. Desta forma, pensar na escola, em seus espaços físicos, na equipe que nela atua e no planejamento que será oferecido para os alunos, sem pensar na família, inviabiliza o trabalho da instituição.

             A relação família escola é uma construção que é feita no dia a dia, no miudinho, bem devagar. O diretor, juntamente com sua equipe de profissionais, precisa acionar estratégias que vão desde pequenas ações até grandes projetos passam pelo fortalecimento do colegiado escolar, e pelos os eventos, reuniões e formações, trazer a família para dentro da escola. De acordo com TÓFANI (2016) é importante promover encontros que sejam realmente edificantes, reflexivos, engrandecedores, que os pais saiam dali com ideias, estímulos para educar melhor os filhos. Saiba que por mais que não demonstrem, todos são carentes: seja de atenção, seja de orientação.  Não deixe de trazer à tona as responsabilidades, mas faça isso de maneira que a família sinta que “consegue” e não que é “incapaz”.

            Boas escolas são aquelas abertas à comunidade, que permitem que seus membros participem como voluntários do processo escolar e levam os alunos a pensarem e inferirem nas problemáticas de sua cidade, bairro, região, nas do país e do mundo, assim fazendo o currículo mais vivo. O modelo de educação que precisamos fazer com que nossos alunos reflitam, tem como base o cuidado com o planeta, com uma visão sustentável e relações saudáveis. As ações desenvolvidas com envolvimento da comunidade e participação dela dão mais visibilidade para a instituição e significado para o aprendizado dos alunos.

            É claro uma escola deve ter regras e, portanto, seus limites. As famílias, por sua vez, têm seus direitos e devem ter seus deveres respeitados. As regras existem porque a escola é uma instituição social e educativa e precisa delas para sobreviver, mas cada vez mais é preciso, de forma organizada que a escola tenha adesões de pais, mães, avós, tias, irmãos… Uma escola desejada e respeitada é bem aceita pela comunidade. Tem reconhecimento pelo bom ensino, pelo cuidado e carinho que tem com os alunos, por seu comprometimento não só com o desenvolvimento intelectual das crianças, mas também com a afetividade, a socialização, os valores e a ética.

            Boas escolas e bons diretores escolares trabalham para desenvolver o lado humano dos alunos e profissionais envolvendo-os em projetos institucionais e ações sociais, que tenham lições de vida, solidariedade, respeito, amor ao próximo e exemplos de gratidão.

           É claro que a escola não vai fazer o papel da família, assim como a família não faz o papel que é somente da escola. Não se trata aqui da visão assistencialista. Cada um tem seu papel bem definido, mas sozinha a escola nem a família darão conta. A parceria precisa existir e cabe a escola uma grande parcela na busca de efetivar esta parceria, buscando a família através de suas diferentes ações pedagógicas.

.       O conhecimento é sempre a base de tudo. Para assumir um cargo de diretor de escola, o profissional pedagogo tem que primeiramente conhecer sobre desenvolvimento humano, metodologias e estratégias de aprendizagens, para que possa fazer uma boa gestão pedagógica. Para isso é pedagogo. Porém o cargo é acrescido de responsabilidades voltadas para dimensões administrativas, financeiras e políticas que requerem um conhecimento específico. Pensando nesta dimensão do gestor escolar e na sua formação de pedagogo, a formação acadêmica, ficam as reflexões: Em muitas situações, falta preparo para o cargo. É necessário também formação em liderança, para o diretor escolar.

            A liderança, por mais inerente que seja ao trabalho educacional como um todo, o seu exercício não é tão facilmente encontrado assim nas escolas. Isso porque ele demanda conhecimentos, habilidades e atitudes especiais, cujo desenvolvimento deve ser contínuo e requer atenção diferenciada de todos que trabalham nas escolas, mas principalmente dos gestores.

            Desta forma, liderar um grupo tão diverso dentro da escola é trabalho muito complexo e é preciso criar estratégias diferentes o tempo todo para que esta equipe se estruture. Uma escola é diferente de um banco, um hospital, uma mercearia, um restaurante. Nestes espaços também convivem quinhentas, seiscentas, mil pessoas todos os dias, mas diferente do ambiente escolar, não são as mesmas pessoas todos os dias. Na escola sim, são as mesmas pessoas, todos os dias, convivendo umas com as outras. Uma realidade que traz alguns dificultadores para o diretor.

            O profissional que ali está a frente do processo pode e deve buscar formação continuada e em serviço e melhorias de condições de trabalho. Liderança não é uma característica nata das pessoas, embora alguns pareçam ter mais facilidade que outros em exercê-la. Mas assim como qualquer bom profissional, em qualquer área de atuação, um bom gestor escolar deve buscar aperfeiçoamento para sua prática. As políticas públicas também precisam investir nestes profissionais que vão para frente destas escolas e assumem na ponta, no “chão da escola” os grandes desafios. Só ocorrerá o avanço efetivo de uma instituição de ensino que estiver sob uma liderança efetiva.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BALDONI, John. 101 práticas de Liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2014 CARLZON, Jan. A Hora da Verdade. Rio de Janeiro: Sextante, 2005

CONNELLAN, Tom. Nos bastidores da Disney: os segredos do sucesso da mais poderosa empresa de diversões do mundo. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

EALES-WHITE, Rupert. O Líder Eficaz. São Paulo: Clio Editora, 2006.

LÜCK, Heloísa. Concepções e Processos Democráticos de Gestão Educacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. Série Cadernos de Gestão, vol.

_____________. Liderança em Gestão Escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. Série Cadernos de Gestão, vol. IV.

OLIVEIRA, Claudemir, PhD. Psicologia Positiva: a arte de materializar sementes de sonhos. 2º ed. São Paulo: Laços, 2017.

OLIVEIRA, M. A. Monteiro (organizadora). Gestão Educacional: novos olhares, novas abordagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. Vários autores.

TÓFANI, Flávio. Entender marketing na Gestão Escolar: agregando valor à marca das escolas. Belo Horizonte: Editora Educacional, 2011.

TÓFANI, Flávio (Tio Flávio). Gestão de escolas em momentos de crise. Disponível em e-book a partir de janeiro de  2016.

TULGAN, Bruce. Não tenha medo de ser chefe. Rio de Janeiro: Sextante, 2009